NO CÂNION GUARTELÁ

Neste começo de inverno o Portal D Moto trás para você um passeio em terras paranaenses, nos Campos Gerais, todo carregado de muito verde e muita água jorrando entre os cânions do Parque Guartelá. Vamos ver?

É melhor nem investigarmos a origem desse nome, pois mesmo os paranaenses da região e os estudiosos chegaram a um consenso e a versão mais aceita é de difícil digestão. Quer saber? Então lá vai.

Conta-se que nos tempos idos e sob a possibilidade de ataque dos índios kaingangues, um dos fazendeiros preveniu seu vizinho de propriedade nestes termos: “guarda-te lá que aqui bem fico”. Daí o termo “guarda-te lá” fez surgir o nome da localidade.

Guartelá

Outra curiosidade do parque é que ele tem o codinome de “Amansa louco”, dado as dificuldades de locomoção das pessoas entre as trilhas do cânion e seus arredores.

Chegar ao Guartelá é muito fácil, pois fica entre as cidades de Castro e Tibagi, no norte do Estado do Paraná.

Para quem parte de São Paulo são pouco mais de 520km. O ideal é vir pela Raposo Tavaves até a cidade de Itapetininga e de lá seguir em direção de Itararé e, já no Estado do Paraná, seguir até a cidade de Castro. Dali ao parque são 40 km em direção a cidade de Tibagi.

Já para quem vem da capital paranaense o percurso é bem menor, dando para fazer até um “bate e volta” se o condicionamento físico estiver em dia e o mototurista for comedido na caminhada básica até o mirante e a cachoeira da ponte de pedra.

Partindo de Curitiba segue-se em direção de Ponta Grossa; depois para a cidade de Castro e finalmente o trecho de 40km até o Parque. Ao todo são 200km de percurso.

O Parque Estadual do Guartelá fica aberto ao público de quarta a domingo e feriados nacionais, das 8h as 16h, e não tem custo algum para estacionar ou usufruir de sua trilha básica. Para se aventurar entre outros pontos há necessidade de guia especial que deve ser contratado com antecipação.

Uma das agencias mais procuradas da região é a Tibagi Turismo que tem pessoal treinado para levar grupos de pessoas até os pontos desejados, principalmente sobre o paredão com pinturas rupestres. Somente 40 pessoas por dia terão o privilégio dessa aventura, o que é controlado da sua base administrativa no local.

Antes de sair para as trilhas, como ou sem guia, o aventureiro deve preencher um cadastro completo que poderá ser útil no caso de algum tipo de socorro, como picada de cobras, machucaduras e até mesmo esgotamento físico, já que o local é frequentado por equipes da terceira idade, crianças de escolas, estudiosos, etc.

Chegamos bem cedo na esperança de completarmos a visita básica antes da hora do almoço e deixamos toda nossa tralha junto à recepção do parque, com pessoal sempre gentil e pronto para ajudar com as perguntas dos visitantes.

trilhas

Esquecemos de levar água, mas o administrador nos garantiu que uma família que reside no local vende água, refrigerante e algo para comer na parte média do percurso. No entanto tivemos azar em nossa visita, pois não havia ninguém a nos atender no local indicado.

Felizmente há uma torneira de água potável no meio do percurso e, no caso de emergência, tomar água diretamente do rio não é sacrilégio algum, já que límpida e cristalina. Foi esse o recurso que usamos para nos hidratarmos durante o percurso.

Há uma estimativa de aproximadamente 2,5 horas para se completar a trilha básica, mas esse tempo varia muito de pessoa para pessoa e do interesse de cada um na caminhada pretendida. Enquanto uns apenas querem conhecer e ir embora, outros gostam de sentir o lugar por mais tempo, contemplando o que a natureza oferece.

A primeira parte do trajeto, com cerca de 1,5km, é feito por uma estradinha muito bem pavimentada com pedras da região. Findo esse trecho segue-se mais outro tanto se o visitante quiser conhecer a cachoeira e o mirante.

Antes de escolhermos a primeira trilha a seguir fomos conhecer os imensos “panelões”, buracos feitos nas rochas pelas águas e que servem de piscinas naturais nos dias de verão. O cuidado, no entanto, deve ser redobrado com as crianças pois, logo após esse trecho há uma queda d´água de aproximadamente vinte metros.

O caminho até o mirante é tranquilo e fácil e quando deveria se tornar mais difícil, por causa do relevo ou os charcos, podemos usar uma passarela de madeira instalada no local, útil principalmente para as pessoas com mais dificuldades.

Se o visitante quiser chegar mais perto da cachoeira ou examinar com minúcias a “Ponte de Pedra”, esculpida caprichosamente pela natureza, seguirá por um caminho alternativo de mais 500m, este, porém, por trechos de rochas que sobem e descem, requerendo mais dinamismo e vitalidade do aventureiro.

Como prêmio pode-se ver a cachoeira que precipita-se do morro, levando toda a água do pequeno “arroio pedregulho” para ser despejada com força sobre o Rio Iapó, que logo a frente também despejará suas águas no Rio Tibagi.

O Cânion de Guartelá é considerado o 6º maior do mundo, com uma extensão que beira aos 30km e uma profundidade máxima de 450m, cavados insistentemente pelas águas desde tempos imemoriais.

O parque foi criado em 1992, tem cerca de 800 hectares e mantém um carro de apoio para as emergências que, além de ser condução para crianças de colo com acompanhante, adianta a vida de pessoas com necessidades especiais, idosos, etc.

Para quem optou fazer a trilha básica completa o resultado final é muito gratificante. Se o visitante tiver um tempinho extra, pode fazer pequenas incursões até as proximidades da Ponte de Pedra, sem poder passar sobre ela já que interditada pela administração do Parque e por ser ela extremamente perigosa e indicadora de muitos acidentes em tempos idos.

Para melhor aproveitamento de tudo aquilo que é oferecido ao visitante, pede-se ligar antes e combinar com o administrador. É ele, também, que agenda as visitas de escolas, empresas e instituições das mais diversas.

VEJA AQUI TODO O PERCURSO NO PARQUE

Feito o passeio é bom reservar um pouco da energia vital para a subida. Aqui vale o contrário: “tudo que desce terá de subir” e, neste caso, o desgaste será bem maior no retorno.

Fizemos toda essa trajetória em quatro horas seguidas, aproveitando ao máximo aquilo que o lugar nos oferecia. Já na sede administrativa despedimos dos funcionários atenciosos e seguimos viagem pois o mundo não para.

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Texto e Edição: Marcos Duarte     

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Jornalista, advogado e editor do Portal D Moto, já foi colaborador da Revista Moto Adventure e do Portal Damas Aladas, trazendo imagens e textos dos mais diversos segmentos do motociclismo, já que pilota há mais 44 anos.

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