Mega Tirolesa (1.900 metros)

 

Já sonhou em estar voando livre sobre as árvores, plantações e gado no pasto? Quando acordamos não desejamos voltar ao sonho para conseguir continua-lo? Esse nosso “Sonho de Ícaro” pode ter uma solução bastante prazerosa. Acompanhe conosco. 

Portal

 

Quem chega a cidade de Pedra Bela depara logo na sua entrada um Portal bastante bonito e, diferente de todos os demais portais existentes em muitas cidades, é um dos maiores pontos turísticos de todo o Brasil. (ver mais…)

 

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O motivo é bastante simples. Justamente no Portal da cidade está a base da maior tirolesa em atividade do mundo, com 1,9km de cabo num único lance. Na verdade são dois cabos paralelos (um é de emergência) que transportam aventureiros que literalmente voam no espaço. 

 

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Junto com o portal da cidade uma bonita e bem equipada praça acolhe os turistas que muitas vezes voltam dali mesmo, sem mesmo conhecer a cidade, já que se interessavam apenas por esse esporte radical nos cabos de aço.

 

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Entre flores e caramanchões bem cuidados encontramos uma estrutura de dar inveja, com quiosque e praça de alimentação, guichês com monitores, estacionamento e vista magnífica a partir do lindo mirante em madeira trabalhada.

 

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 OS PREPARATIVOS 

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O candidato a aventura deve apresentar seus documentos e preencher um termo próprio para se aventurar na tirolesa. Há uma prévia avaliação das condições físicas do candidato antes de destina-lo à Pedra para o evento.  

 

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Preenchido os termos os monitores instalam no aventureiro o equipamento necessário, com toucas especiais para que os cabelos não fiquem soltos em nenhuma hipótese, bem como por questão de higiene, já que o capacete é compartilhado com outros.

 

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Eles também instruem os aventureiros sobre a melhor maneira de se portar na tirolesa, de modo a cuidar da própria segurança, já que na “descida” pelo cabo não vai haver ninguém ajudando. Ensinam os cuidados com objetos nos bolsos, câmeras de vídeos e fotografia que podem se perder para sempre.  

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 A SUBIDA 

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Feito essas preliminares uma Van leva os aventureiros até a parte alta da Pedra do Santuário. Todos já vão equipados até lá. O passo seguinte do aventureiro é subir mais de 300 degraus até o topo da pedra, de onde parte a tirolesa.

 

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Talvez essa seja a parte mais difícil do trajeto e no percurso já dá para ter uma noção da altura que se está e da solidão do lugar. Só não dá para “amarelar”, pois está no regulamento assinado que eles não devolvem o dinheiro se houver desistência na hora “H”.

 

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Na longa escadaria há algumas grutinhas com imagens de santos (o local serve para também romarias) e no topo uma bonita capela pode ser um refúgio de prece para os indecisos. E olhem que muitos usam mesmo.

 

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Já na parte mais alta percebe-se pisar sobre uma rocha imensa de granito maciço e nele inúmeras e potentes estancas estão fincadas, de forma a segurar o cabo de aço até a cidade. Afinal pesam mais de duas toneladas cada um dos cabos.

 

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O vento muitas vezes se faz mais forte naquelas alturas. O simples andar pode causar algum desconforto. Tropeçar e cair, lá em cima, por causa do vento, pode ser muito perigoso, principalmente se estiver na borda da pedra. Cair lá do alto não deve ser uma experiencia que deve estar em nosso curriculum de vida.

Com o tempo percebe-se que os sorrisos, antes alegres e animados, se tornam mais inseguros e “forçados”. O lugar é muito alto mesmo, dá para ver os boizinhos pastando do tamanho de uma cabeça de fósforo. 

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Para um comparativo, o bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, percorre 700m. Aqui são 1.900m. De um a um os aventureiros são conduzidos por monitores até o ponto de partida. São verificadas as travas, a correta colocação da “cadeirinha” e se aguarda o sinal de partida.

 

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 A DESCIDA  

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Em pouco tempo o aventureiro, que é “despachado” montanha abaixo, some das vistas dos monitores e para se ter certeza que ele chegou bem ao destino, faz-se necessário um controle especializado via rádio. Só então o monitor prepara outra pessoa para se utilizar da tirolesa.

 

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Vez ou outra alguém “entala” no meio do fio e um dos monitores é obrigado a “descer” ou “subir” para ajudar. Isso aconteceu no dia que estávamos lá e pudemos presenciar essa atividade de socorro um tanto “corriqueira”. Nada que assuste ou cause perigo.

 

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Para os experientes descer “em dois” (com suportes específicos contratados antes), de pernas para cima, em forma de estrela ou com grande velocidade é muito comum. Mas para os marinheiros de primeira viagem, enlaçar sua trava no cabo causa um certo pânico.

 

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Ficamos atentos a vários desses novatos. Riem e choram ao mesmo tempo; fazem piadinhas sem graça por causa do medo; cedem sua vez para outros com a maior facilidade (êta educação…) e relutam bastante na hora da partida, como se fossem se atirar para a morte. 

 

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A MINHA VEZ

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Enfim chegou a minha vez de enfrentar a Pedra do Santuário pela primeira vez. Compenetrado, com sorriso amarelo, um pavor mal disfarçado, relutei bastante para me dirigir “pedra abaixo”. Confesso que tentei desistir umas 5mil vezes no trajeto de 3 ou 4 metros.

 

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Não tem como. “Guinchou” seu equipamento no cabo e deu dois passos para frente não tem mais volta. A visão é impressionante. Os pés deixam automaticamente o chão e lá fui eu deslizando velozmente pelo cabo de aço, só ouvindo o som estridente das roldanas e torcendo para não quebrarem, justamente comigo.   

 

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Foi o “minuto e meio” mais demorado da minha vida. A visão sobre montanhas menores é incrível. Em dado momento outros monitores nos recolhem montanha abaixo e a primeira sensação que temos é a seguinte: “Di nooooovo!”. A vontade de voltar é imediata. 

 

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Nessa primeira vez a câmera fotográfica levada foi inútil e nem tive coragem de manuseá-la. De qualquer forma não teria que me preocupar, pois no sopé da pedra, à nossa espera,  estava o sempre bem posicionado “Kako”, fotógrafo experiente com equipamento ultra potente, que nos acompanha o trajeto desde o início. 

 

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Até nos desvencilharmos do equipamento e deixarmos o “porto de aterrisagem”, Kako já gravou em CD as fotos que tirou e já está pronta para ser adquirida pelo aventureiro. O preço é bem camarada mesmo e há descontos para grupos de pessoas.

 

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Uma vez embaixo acaba sendo instintivo voltarmos ao mirante para vermos outros aventureiros descendo “montanha abaixo”. Agora, que já ficamos “experts” na descida, começamos a “colocar reparo” nas descidas alheias, corrigindo posturas, criticando seus movimentos, etc. Agora o medo passou, né?

 

Como dados estatísticos um aventureiro pode atingir a velocidade de 107km/h no percurso. Há limite de peso mínimo e máximo para o uso da tirolesa (40 a 150kg).

E então, que tal voarmos literalmente e deixarmos nossa vida por um fio?

 

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CRÉDITOS

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Texto e imagens = Marcos Duarte

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Jornalista, advogado e editor do Portal D Moto, já foi colaborador da Revista Moto Adventure e do Portal Damas Aladas, trazendo imagens e textos dos mais diversos segmentos do motociclismo, já que pilota há mais 44 anos.

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