ENTREVISTA: Garupeira de primeira viagem

 

A entrevistada deste mês de fevereiro não é uma motociclista. Pelo menos ainda não. Déborah Emmanoelli é advogada militante na comarca de Cabreúva, a 70km de São Paulo, e descobriu os encantos da motocicleta de uma forma inusitada.

Uruguai

 

Embora não tivesse contatos com motos ou motociclismo, recebeu o convite de amigas para passar um final de ano em Punta Del Leste, no Uruguai, fazendo todo o trajeto em motocicletas. A surpresa do convite teve como resposta um SIM.

A falta de qualquer tipo de experiência e a expectativa de enfrentar mais de 4 mil quilômetros na garupa de uma moto, levou Débora à fazer primeiro uma viagem-teste até a cidade de Holambra, para “ganhar coragem”. Parece que deu certo a tática, pois no final de dezembro lá foi nossa entrevistada na primeira aventura em duas rodas da sua vida.

Equipada

Como todo marinheiro de primeira viagem, Déborah não tinha sequer os equipamentos essenciais de segurança, os quais foram emprestados por uma de suas amigas, bem como não tinha qualquer noção de como se portar numa viagem dessas.

O aprendizado foi rápido e em pouco tempo nossa garupeira aprendeu algumas técnicas de pilotagem, reconhecendo sinais básicos de atenção, modos de se posicionar na moto, etc.

Uruguai

O projeto de viagem previa seis dias de aventuras: dois de ida, dois de estadia e dois de volta. Na verdade um projeto bastante audacioso, onde os percursos diários giraram em torno de mil km.

A saída aconteceu na capital paulista, as 4:30h da matina, com destino à cidade de Torres, no Rio Grande do Sul. Cinco motocicletas participaram dessa façanha, sendo a maioria Big Trails. Uma Shadow 750 foi a moto “estranha” entre as outras quatro.

Viagem ao Uruguai

Déborah nos confessou que realmente teve uma certa apreensão no início da viagem, mas que passou rapidinho, nos primeiros minutos de estrada. Ao todo percorreram 965km no primeiro dia, com sete paradas para abastecimento e hidratação.

Era justamente esses momentos que nossa entrevistada usava para fazer seus exercícios de alongamento e para se alimentar. Segundo ela o mais difícil foi encontrar alimentos saudáveis durante o trajeto, já que não é adepta de salgados e comidas pesadas.

Na Shadow 750

Na maior parte da viagem Déborah foi garupa numa Tiger 800 XC de seu amigo Ruba, porém, em algumas ocasiões trocou de piloto, viajando na Shadow. Nessas trocas pode perceber a diferença entre as diversas motocicletas e formas de pilotar. “Senti-me estranha na garupa da Shadow, parecia que o vento vinha direto em mim”.

Das cinco motos que compunham o comboio, três delas levavam garupas, assim só restou à Déborah revezar-se entre a Tiger e a Shadow. Foram 14 horas de viagem no primeiro dia, uma hora e meia além do previsto, numa média de menos de 70km/h.

Viagem ao Uruguai

O segundo dia da viagem transcorreu da mesma forma que o primeiro. Foram outros 960 km, dessa vez percorridos em quase 17 horas, já que havia a necessidade de balsas e aduanas para ingressarem no país vizinho.

Nessa primeira etapa do Projeto Déborah percorreu quase 2mil quilômetros em menos de 48 horas. Nada mal para nossa garupeira de primeira viagem. A estadia no Uruguai rendeu muita diversão e fotos, mas o retorno já era quase imediato: outros 2mil km de volta.

Uruguai

De toda essa experiência nossa entrevistada nos confidenciou: “Foi muito boa a viagem, principalmente a parte das estradas. Me senti ótima com todos os equipamentos de segurança, mas me passou pela cabeça um fato novo: quero ter minha própria moto”

Pelo que percebemos o “bichinho” das duas rodas pegou em cheio mais uma pessoa, e olhe que no caso não é uma adolescente que poderia se encantar com qualquer novidade, mas de uma profissional acostumada com situações de estresse em seu trabalho diário.

Uruguai

 

Quando estivemos com Déborah para fazer esta entrevista pudemos ver seus olhos brilharem ao relembrar a aventura, e a determinação de escolher uma moto que possa inseri-la no meio motociclístico.

Em sua mesa de escritório já se podia ver a inscrição na auto-escola, para se habilitar em motocicleta, e a preocupação de saber que tipo de moto poderia ser mais adequada para uma aprendiz de motociclismo.

De nossa parte agradecemos à Déborah pela entrevista que nos concedeu e desejamos à ela felicidades nessa nova empreitada de sua vida, aconselhando que realmente proceda dentro de suas limitações, afinal precisamos de mais motociclistas que sejam exemplos de como se deve ser o motociclismo.

PLANILHA DA VIAGEM

Planilha da viagem

 

Boa sorte Déborah

   

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CRÉDITOS

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texto e imagens: Marcos Duarte 

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Jornalista, advogado e editor do Portal D Moto, já foi colaborador da Revista Moto Adventure e do Portal Damas Aladas, trazendo imagens e textos dos mais diversos segmentos do motociclismo, já que pilota há mais 44 anos.

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