CUNHA = Na pedra da Macela

Viajando para as bandas de Cunha ou Paraty, não deixe de conhecer a Pedra da Macela, um mirante a 1840 metros de altura na divisa do Estado de São Paulo com o Rio de Janeiro, onde é possível ver quase o infinito.

Chegando em Cunha

Em nosso projeto Tour no carnaval 2015, que teve como primeira cidade visitada a Estância Climática de Cunha, nos alertavam a todo momento: Vocês não vão deixar de visitar a Pedra da Macela, não é? Nada sabíamos sobre essa maravilha da “Macela”, mas como Cunha ostenta muitos encantos naturais, fomos pesquisar a respeito.  

 

Estrada Cunha/Paraty

Em Cunha conhecemos algumas cachoeiras, seu rico centro histórico e acompanhamos a primeira noite de Carnaval. No dia seguinte deixaríamos a cidade rumo a Paraty, e o faríamos pela famosa Estrada Real, que começa em Diamantina/MG com destino a Paraty (Rodovia Cunha/Paraty). Quem sabe a conheceríamos então essa tal “Pedra da Macela”?  

Amanhecer em Cunha

Saímos em viagem nas primeiras horas do dia, sob forte nevoeiro, e a intensão era passar por essa tal “Pedra da Macela”. Porém, se fosse muito complicado chegar à ela, seguiríamos viagem sem a conhecer: Arriscamos. Deixamos a rodovia por um acesso a esquerda no Km 66 e rodamos os primeiros 5km em terra, quando nos deparamos com uma porteira fechada. 

Rumo a Pedra da Macela

Era assim mesmo que tinham nos contado: Terra no primeiro trecho, porteira fechada e uns 2,5 ou 3 kms de cimento, montanha acima. No trecho de terra passamos com a moto em frente ao famoso “Lavandário” e da Fábrica de Cervejas artesanais WorkenburG, não paramos para não nos atrasarmos.

 

Pico da Macela

 

Em frente a porteira um outro dilema: Onde estacionar a moto? Não havia sequer um espaço aberto para isso e o jeito foi deixa-la bem a frente da porteira, sozinha. Éramos os primeiros a chegar no sopé da montanha naquele dia.

 

Pedra da Macela

 

Quem mora em cidades grandes sabe bem a dificuldade e os riscos de deixar nossa amiga inseparável (a moto) sozinha no meio do mato, para só voltar em algumas horas. Como não havia outra solução, aquiescemos contrariados. Que fosse assim! 

Pedra da Macela

 

Na moto ficaram os três baús abarrotados de coisas, porém levamos a mochila com todo o equipamento de foto e vídeo conosco. Botas, calça de proteção, jaqueta e mochila não eram as roupas mais indicadas para aquele tipo de aventura, mas…. era o que podíamos fazer nas circunstâncias.

Pico da Macela

 

A falta da certeza da distância exata até o cume intrigava. A visão da Torre, lá do alto do Pico da Macela, quase nos fez desistir no meio do caminho, mas a persistência falou mais alto e seguimos, afinal, já estávamos ali mesmo.

 

Pico da Macela

Nessa hora foi possível perceber que o pouco de exercícios físicos feitos dias antes, por causa de dores na coluna vertebral, valeu e muito. Em outras ocasiões a subida a pé seria praticamente impossível. A caminhada é bastante (mesmo) íngreme e levamos mais de uma hora para completa-la, porém, todo o esforço valeu a pena ao chegarmos no topo do Pico da Macela.

Pico da Macela

 

São 1840 m de altitude, onde pode se ver uma floresta inteira se descortinando aos nossos pés e se estendendo até o oceano, recortado por muitas penínsulas e ilhas da baía de Paraty e de Angra dos Reis. Um espetáculo de tons, formas e nuances que não se esquece jamais.

 

Pico da Macela

Lá do alto pode se ver, com bastante nitidez, toda a cidade de Paraty, com seus prédios e rios. Segundo nos disseram em Cunha, nas noites escuras e sem nuvens pode-se ver as luminosidades das cidades de Cunha, S. L do Paraitinga, Angra, Paraty, Ilha Grande, Ubatuba e até Caraguá.

 

Pico da Macela

Ficamos lá em cima por pouco tempo, já que a preocupação com a moto era constante. Evidentemente esse tempo não foi suficiente para contemplar toda aquela magnitude e exuberância da natureza, mas colhemos algumas fotos e vídeos  antes de retornamos. Até aquele momento do dia só nós tínhamos chegado no todo da Macela. 

 

Pico da Macela

No caminho de volta prevíamos mais facilidades, porém as pernas ainda estavam “moles” e a descida não se deu em menos de uma hora. Nos primeiros 500 metros de descida encontramos dois atletas “correndo” ao topo, seguido de outro logo atrás, com o mesmo pique. Perguntaram sobre a visibilidade lá no alto e, sem parar, sumiram estradinha acima.

Pico da Macela

Ainda na descida encontramos um casal que tentava subir a Macela “de bikes”!!! Estão loucos, pensamos nós, entretanto, cada um sabe onde aperta seu sapato. Conversamos com eles ao lado de uma “burrinha” simpática, cheia de vermes pelo jeito, já que a barriga era imensa e mula não pari.

 

Pico da Macela

 

Mais abaixo vimos subir um outro grupo de pessoas, essas de meia idade e vindas de Guarulhos, todas com suas câmeras fotográficas potentes penduradas no pescoço. Também começamos com uma delas a tiracolo, mas voltou para a mochila com rapidez ou não concluiríamos a subida.

Pico da Macela

 

Quase chegando na porteira por onde deixamos a moto percebemos os atletas que encontráramos no topo voltando, correndo a todo pique montanha abaixo. Despediram de nós e sumiram em direção do asfalto, no qual chegariam alguns quilômetros depois.

 

Pico da Macela

 

Cansamos só de vê-los correndo. Como já estávamos quase na moto, imaginávamos que a montaríamos e, ainda no trecho de terra, alcançaríamos nossos atletas. Que nada, as asas dos pés deles eram mais ligeiros que as asas da Honda que estávamos.

Cachoeira Mato Limpo

 

Só os alcançamos no asfalto, junto da Cachoeira Mato Limpo e quase os obrigamos a parar. Precisávamos saber mais sobre eles, já que foram muito simpáticos na subida e na descida, quando conversaram conosco, moderando o pique da corrida. 

Marcio Souza – atleta

 

Um deles acedeu a nossos apelos e parou. Contou-nos, em síntese, que se chamava Márcio Souza; que era um dos três principais atletas de trail running do país; que já disputou provas em vários países; que vinha correndo desde Paraty até o alto da Macela; e que estava voltando correndo para lá.

Pico da Macela

 

Mais uma vez ficamos cansados só com o relato desse atleta, mas felizes por termos concluído, embora ofegantes, um percurso até o alto da Pedra da Macela, exatamente na divisa entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

 

 SUBINDO A PEDRA DA MACELA 

 

Rumo ao Pico da Macela

Se você pretende fazer esse percurso e tem algum receio quanto a segurança de seu veículo, principalmente se pretender pernoitar no topo, com barracas, procure contato em alguns sítios ou chácaras nas proximidades. Com certeza em alguma dessas propriedades seu veículo poderá ser guardado com toda a garantia. 

 

 

Portal D Moto, com você montanha acima.

 

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CRÉDITOS

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texto e imagens: Marcos Duarte 

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Jornalista, advogado e editor do Portal D Moto, já foi colaborador da Revista Moto Adventure e do Portal Damas Aladas, trazendo imagens e textos dos mais diversos segmentos do motociclismo, já que pilota há mais 44 anos.

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