CITY TOUR = TERESÓPOLIS/RJ

Este City Tour especial de início de ano aconteceu em Teresópolis, que tem vários codinomes: “Cidade de Teresa” ( referencia a Imperatriz D. Teresa Cristina de Bourbon, esposa de D. Pedro II), “Terê”, “Capital do Montanhismo”, “Cidade dos festivais”, etc.

Seu nome homenageia a jovem princesa italiana que deixou sua pátria para casar-se com o monarca brasileiro, depois que seus pais arranjaram imagens suas que não condiziam com a realidade, para seduzir nosso maior e talvez “desencalhar” uma jovem não tão atraente.

Seja verdade ou não, o fato é que tal casamento se deu por procuração, mas o par acabou por se afinar ao longo dos mais de 40 anos de casamento, sendo ela o esteio do marido em todas as situações e, ela sim, considerada a mãe dos brasileiros pela sua paciência, bondade, generosidade e simplicidade.

Morreu um mês depois de ter sido exilada com a família imperial, após a proclamação da republica, sendo respeitada até mesmo pelos republicanos que tomaram o poder pelo seu comportamento irrepreensível e por estar sempre patrocinando a cultura brasileira.

Não podia ser para menos que a cidade que lhe devota o nome estivesse entre as mais belas regiões do Brasil e do mundo, com um clima mais característico da terra natal de sua rainha protetora e também de sua santa padroeira, Santa Tereza D´Ávila.


LOCALIZAÇÃO


Para quem parte da cidade do RIO DE JANEIRO é um pulinho. São pouco menos de 100km a distancia entre as duas cidades, vindo o visitante pela BR-040 até Saracuruna e dali pelo Arco Metropolitano (BR-493) até próximo de Magé, donde se deriva para a BR-116 (Rio/Teresópolis), passando antes por Guapimirim.

A Outra opção é cruzar a ponte Rio/Niterói e seguir por São Gonçalo pela BR-101 até o acesso ao Arco Metropolitano (BR-493) em direção da Magé. A partir da confluencia com a BR-116 o caminho é o mesmo já narrado.

Para quem parte de SÃO PAULO são cerca de 480km de estradas. A rota direta é pela Via Dutra (BR-116) até proximidades de Seropédica e, logo após o pedágio ficar atento para a rotatória para o Arco Metropolitano (BR-493). Daí em diante é só seguir reto observando as orientações que já demos para quem parte da capital carioca.

O visitante que vier de BELO HORIZONTE terá caminhos mais difíceis para chegar, mas o trajeto é mais curto que o paulista. São cerca de 380km de distancia e a maior parte do trajeto (aproximadamente 355km) é feita pela perigosa BR-040. O resto do percurso será pela sinuosa e linda BR-495 (Estrada das hortênsias)

Há, ainda, o visitante do ESPÍRITO SANTO a desejar conhecer Teresópolis e este não o fará por melhores caminhos que o mineiro. Partindo de Vitória o visitante viajará melhor pela ES-060 em direção de Guarapari, para dali seguir pela BR-101 até a divisa com o Estado do Rio de Janeiro.

Ainda no Espírito Santo desviará o curso pela ES-297, transpondo a barreira estadual em Santo Eduardo. Daí em diante seguirá pela RJ-230 rente a divisa até Bom Jesus do Itabapoana/RJ, seguindo então pela BR 484 e BR-393 até Além Paraíba, quando seguirá os trechos finais pela BR-116.


A VIAGEM


Seguimos para Teresópolis com mania de grandeza e um projeto bastante ousado para um motociclista considerado idoso: A subida pela trilha da Pedra do Sino, o ponto mais alto da Serra dos Órgãos, numa escalada de mais de 11km para chegarmos a 2.275 metros de altitude, como você poderá conferir na matéria especial sobre o evento. (clique aqui)

Nossa partida se deu de Pouso Alegre/MG para esta viagem, pois lá estávamos para outras atividades. Seguimos por Santa Rita do Sapucaí e Itajubá, ainda em Minas Gerais; e depois por Piquete e Cachoeira Paulista, em São Paulo, até chegarmos na Via Dutra (BR-116). Daí em diante fizemos como mencionamos acima, para quem parte da capital paulista.

Pouso Alegre/MG

Pouco antes de chegarmos em Seropédica e transpormos o último e salgado pedágio na BR-116 (R$ 7,20), tivemos que parar para colocar nossa capa de chuva, e o fizemos junto a outro motociclista que viajava com uma Bonneville 900cc, mas que estranhamente dizia que era uma Street Triple, quando conversamos.

Fixando as feições do motociclista notamos, longe de qualquer preconceito que possa parecer, que tal sujeito destoava da moto que pilotava pelo seu porte, aparência, vestuário e modos de falar, tanto que conferimos suas falas com os emblemas da moto e nosso próprio conhecimento da marca, que confirmavam ser mesmo a “Bonnie” e nem de longe a “Street” mencionada. Encerrarmos a conversa com aquele sujeito estranho e partimos.

A chuva veio forte por alguns minutos mas ficou intermitente até nossa chegada no destino, parando e voltando momento a momento, intensificando-se porém na subida da serra entre Guapimirim e Teresópolis.

Seguimos por quase 80km pelo Anel Metropolitano semi deserto, com suas inúmeras e diferenciadas luminárias ao longo do percurso, todas com placas fotovoltaicas de aproximadamente 2,00m x 2,00m no alto dos mastros, com oito baterias tipo automotivas em cada uma delas e braço metálico com lampada voltada para a estrada, conforme pudemos constatar em algumas delas no chão.

A cena era novidade para nós, que viajamos muito pelo Brasil afora, principalmente pelo excesso de peso e volume na parte alta dos postes que, numa queda poderia causar acidentes monumentais.

A preocupação aumentou quando, de tempos em tempos víamos postes caídos e, num dado lugar, quiçá pelos fortes ventos que pudessem ocorrer por ali, uma série desses postes caídos no mesmo sentido. Menos mal que tais quedas foram para dentro do canteiro e não na pista de rolamento. Ou foram arrastados para lá posteriormente? Vai saber!

Pagamos um único pedágio nesse trecho do Anel Metropolitano, mas de absurdos R$ 9,00. Seguindo nosso trajeto passamos Guapimirim e subimos sob forte chuva a serra para a cidade de Teresópolis e nem pudemos ver a maravilha dos morros a nossa volta, mesmo passando embaixo do “Dedo de Deus, cartão postal da cidade.

Contornamos a última rotatória e seguimos o trecho final pela Avenida Rotariana, agora com a chuva um tanto amainada, seguindo depois pela “Reta”, apelido dado para para as Avenidas Alberto Torres, Feliciano Sodré e Lúcio Meira por motivos óbvios, até chegarmos na rotatória da usina elevatória “Paul Harrys”, homenagem feita ao fundador do Rotary Club International.

Ali atravessamos a apertada pontinha que cruza o Rio Paquequer e chegamos no lugar que nos acolheria por vários dias em Teresópolis: O Vila Nova Parque Hotel. Subimos suas rampas de acesso e em pouco tempo estávamos organizando nossa tralha em nossos aposentos.

Depois do banho bem quente e de tudo arrumado tratamos de ir até o centro da cidade para um “reconhecimento preliminar”, pois aquela cidade ainda nos acolheria por alguns dias. Passamos por suas ruas principais mas o tempo ainda chuvoso, aliado a noite que chegava, fez-nos voltar ao Vila Nova.

Outro banho e ventiladores dirigidos ainda à nossa roupa bastante úmida, tratamos de forrar o estômago ali mesmo, no Hotel. Sentamos confortavelmente no bonito espaço destinado a grandes repastos e escolhemos uma canja de galinha, perfeita para o momento. Para acompanhar? Uma “Terezópolis Dunkel”, para não fazer feio.


AMIGOS INESPERADOS


Há de se convir que muitas vezes encontramos pessoas conhecidas em nossas viagens, mas aqui foi demais. Voltando do Reconhecimento prévio que fizemos no Parque da Serra dos Órgãos naquela manhã do dia seguinte ao qual chegamos, vimos um automóvel da mesma cidade onde moramos e reconhecemos o motorista como sendo um hóspede do mesmo hotel que jantara conosco na noite anterior.

Nos aproximamos na recepção do Hotel e a resposta dele foi: “-Sim, sou de lá e sou advogado. Estou aqui para fazer três audiências para um cliente e ficarei hospedado aqui mais dois dias.”

-“Que prazer doutor”, falei eu, por minha vez. -“Também sou de lá, mas não lhe conhecia. Sei que é jovem ainda, trabalha com alguém que eu conheça?”  Ele começou a desfiar nomes de pessoas com que trabalhava, advogados mais velhos e de renome, dentre eles um conhecido. –“Conheço esse”, disse eu, a que tive como resposta: -“É meu tio. Ele trabalha na OAB de lá”.

Foi daí que concluí: -“Puxa vida!  Que coincidência! Também trabalho em duas comissões da OAB e com seu tio.”  Daí vieram as risadas. –“O Sr. também é advogado, então?”comentou o jovem “padawan”.

-“Sim”. Concluí. –“Mas não te conhecia, talvez por nossas áreas de atuação serem diferentes. Eu viajo muito e com isso sobra um tempinho extra para administrar um Portal de mototurismo e, é por ele que estou aqui hoje, portanto, nada de terno nos alforges desta vez.”  

Depois das risadas de praxe saímos juntos para visitarmos as belezas naturais da cidade e falar-lhes sobre o projeto de subir no dia seguinte aquela montanha alta (Pedra do Sino) que podia ser vista da porta do Hotel.

Cuidamos de conhecer um dos mirantes da cidade, subindo numa edificação para melhor visualização da paisagem e fomos ainda ver o “Dedo de Deus” no mirante da BR-116, mas só vimos mesmo foi a “munheca de Deus”, dado a neblina que se fazia naquele dia.

João Pedro e David

Lá encontramos o João Pedro com o David, duas crianças que estavam com seu pai, o Pastor de uma igreja evangélica de nome Israel e outro pastor da mesma igreja. Estavam lá exatamente como nós para apreciar a vista e levar seus filhos para conhecerem o mirante.

Despedimos na volta ao Hotel pois eu ainda tínhamos muito a fazer naquele dia e ele, como jovem que era, estava mais disposto as coisas de sua idade e não perderia tempo conosco, que ainda buscávamos coisas para a aventura na montanha no dia seguinte.


AS COMPRAS


Seguíamos as orientações de muitos montanhistas e fomos ao centro da cidade tentar alugar um saco de dormir para a noite vindoura, tida como muito fria na montanha. Fomos na loja indicada mas, sinceramente, não gostamos nada do atendimento, tampouco dos vendedores, que mais pareciam querer tirar proveito da situação.

Fomos a procura de outras lojas no centro da cidade e nos deparamos com a Unisport, indicado por um policial que estava em patrulhamento no local. Entramos e fizemos a mesma abordagem feita na outra loja. O vendedor foi buscar o produto, mas disse que não alugavam, só vendiam.

O gerente da loja interviu e quis saber mais de nossas reais necessidades, a que explicamos com detalhes. A resposta dele foi a seguinte: “Se quiser eu lhe vendo, este e é o negócio desta loja. Mas, sinceramente, vocês não vão precisar disso, tá?”

-“Hã!?”  Fizemos nós. –“Isso mesmo, Não estará frio lá em cima esses dias”  e, apontando um de seus funcionários complementou; -“Ele esteve lá dois dias atrás e você não vai precisar disso. Compre uma mantinha sintética, muito mais barato nas lojinhas populares e será suficiente.”

Seguimos seus conselhos e não arrependemos mesmo. Pena que nem todos os comerciantes queiram realmente resolver os problemas do cliente, sem explorar-lhes os recursos. Agradecemos a todos da Unisport.


A CIDADE


Aproveitando por estarmos no centro nervoso de Teresópolis, típico de grandes cidades e com aglomeração de lojas e gentes por todo o lado, fomos conhecer a Matriz de Santa Tereza, toda enfeitada para o Natal e andamos rodando por mais lugares de lá

Teresópolis é a cidade mais elevada do Rio de Janeiro e tem sua historia ligada ao Quilombo da Serra, lugar para onde fugiam os negros cativos dos canaviais do Rio de Janeiro. Hoje a cidade tem perto de 180 mil moradores.

Também era lugar bastante aprazível para a Família Imperial Brasileira, mas só ganhou este nome depois que se emancipou de Magé, dois anos após a morte da antiga imperatriz, já no exílio.

Além do mundialmente famoso Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o município também abriga o Parque Estadual dos Três Picos e a Granja Comary, centro de treinamento da Seleção Brasileira de Futebol.

Por estar cercada por muita natureza é que a cidade ficou conhecida como a capital nacional do montanhismo, tendo com expoente maior Mozart Catão, o primeiro brasileiro a escalar o Everest (maior montanha do mundo), morrendo ao escalar o Aconcágua, na Argentina, em 1998. Se vivo teria ele hoje 55 anos de idade.

No PARNASO (Parque Nacional da Serra dos Órgãos) está a “Pedra do Sino”, o ponto mais alto do Parque e nosso destino nesta viagem. Também lá encontraremos o “Escalavrado”, “Nariz do Frade”, “Agulha do Diabo”, “Dedo de N. Senhora e de Deus”, “Pedra do Elefante”, etc.

Na estrada entre Teresópolis e Friburgo, fazendo parte do Parque Montanhas de Teresópolis, temos ainda a Pedra da Tartaruga, muito usada para a prática de rappel e ponto de encontro de jipeiros e congêneres da região.


RETORNO AO ACONCHEGO


A tarde estava chegando e não poderíamos ficar mais tempo perambulando para lá e para cá, pois o dia seguinte seria de muitos desgastes e incertezas montanha acima. Assim tratamos logo de voltar para o Hotel para preparar tudo para a aventura.

Depois de colocar a tralha em ordem, levando em conta que a partir daquele momento seriam duas tralhas distintas: a que ficaria no Hotel e a que levaríamos na Escalada, tratamos de dormir cedo depois de outro banho quente e relaxante.

A saída para a trilha para a Pedra do Sino aconteceria pelas 5:30h da madrugada do dia seguinte e o fizemos com o estômago vazio, pois esquecemos de guardar algo para tal, já que o café da manhã só seria servido no hotel a partir das 7:00h.

Depois de realizada a aventura montanha acima, retornamos no finalzinho do dia seguinte completamente moídos, com a certeza de estarmos quase em casa, dado ao carinho recebido no Vila Nova.

Nossa caminha nos aguardava, nossas malas (baús) estavam à espera e, mais que tudo, o chuveiro nos convidava ao devido reparo que não nos furtamos imediatamente. Só saímos do apartamento a noite, para jantarmos no hotel mesmo e retornamos ao sono reparador.

O dia seguinte estava marcado para o retorno, mas não tínhamos pressa alguma, pois acordamos as nove horas da manhã, cansados, mas satisfeitíssimos pela aventura realizada.

Antes de deixarmos a cidade cuidamos de dar um bom trato em nossa companheira de viagem, a Transalp 700cc que requeria uma boa dose de óleo na corrente e acertos na calibragem dos pneus, o que foi providenciado com esmero pela Honda Alpina de Teresópolis, sem qualquer custo ou constrangimento.

São nessas horas que sentimos seguro ao pilotarmos uma motocicleta que tem praticamente uma concessionaria em cada cidade do Brasil. Nunca ficamos na mão nas emergências.

Deixando definitivamente Teresópolis passamos novamente pelo Mirante Soberbo, na rotatória da Avenida Rotariana com a BR-116 e desta vez pudemos ver maravilhados o “Dedo de Deus” nos apontando o caminho para que o ano de 2018 seja coroado de muito sucesso.

Que esse caminho também possa ser visto e seguido por todos nós em 2018.

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CRÉDITOS


Texto e Edição: Marcos Duarte     

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Jornalista, advogado e editor do Portal D Moto, já foi colaborador da Revista Moto Adventure e do Portal Damas Aladas, trazendo imagens e textos dos mais diversos segmentos do motociclismo, já que pilota há mais 44 anos.

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