CITY TOUR = SÃO GONÇALO DO RIO DAS PEDRAS/MG

Nossa aventura da vez se dá neste outro Distrito da cidade de Serro, em Minas Gerais, encravado na Serra do Espinhaço e na passagem do último trecho da Estrada Real, antes dela chegar em Diamantina.

A região é inegavelmente paradisíaca e isso já víamos mesmo antes de chegar na comunidade de São Gonçalo. No estreito percurso de terra partindo de Milho Verde, conseguimos contemplar as montanhas e numa delas era possível ver a nítida imagem de um elefante deitado. Muito lindo, principalmente por causa das luzes oblíquas do final da tarde.

IDA A SÃO GONÇALO

Só se chega em São Gonçalo pela Estrada Real e por terra, sendo que outros acessos são feitos por pequenas veredas entre sítios e fazendas, também sem qualquer tipo de pavimento. Mas isso parece estar com os dias contados, pois surpreendemos trechos sendo pavimentados em direção de Diamantina. É esperar para ver.


RUMO A S. GONÇALO


Neste trecho da viagem que empreendíamos para São Gonçalo acabamos tendo como companheiro de jornada o piloto de uma XT 660 branca, que a princípio parou ao nosso lado preocupado com nossa segurança, quando fotografávamos pouco antes de termos chegado em Milho Verde.

Paulo era o nome do piloto que seguiu conosco desde as imediações da cidade de Serro, até São Gonçalo, onde nos ofereceu pouso em uma casa de veraneio que tem com a namorada, exatamente na cabeceira da Cachoeira do Comércio.

Ainda bem que recebemos tal convite, pois pretendíamos viajar direto até Diamantina naquela mesma tarde, o que seria realmente impraticável, como o leitor poderá ver na matéria que fizemos no dia seguinte, sobre esse percurso até Diamantina.

Seguindo-o no sobe e desce da ER, entre cascalho e areia fofa, chegamos finalmente no povoado que tinha seu piso quase todo revestido em grossas pedras da região.

Em pouco tempo alcançamos a bonita pracinha da Igreja do Rosário, a qual passamos ao lado, para seguirmos por vielas estreitas e sem calçamento, até chegarmos em nosso destino.

Paramos defronte da casinha que nos serviria de pouso naquela noite e dali já ouvíamos o barulho característico da Cachoeira do Comércio, que “caia” rente a propriedade, precipitando-se montanha abaixo numa queda de 80m.

Excepcionalmente naquele dia não havia água no lugarejo e o reservatório da casa estava vazio, utilizado pela vizinhança que aproveitara da ausência de seus moradores, para não se privarem do precioso líquido. Coisas que só acontecem no interior de Minas.

Depois de adentramos o nosso simples e espaçoso aposento, decorado apenas com um pequeno guarda-roupas e uma cama de solteiro, fechamos a “tramela” e tratamos de tirar a pesada roupa para algo mais confortável.

O banho? Ah, esse teve mesmo que ser lá na cachoeira, com direito a sabonete, shampoo e toalhas. Que delícia e nem precisamos “desligar a água no fim do banho”. Para os demais usos que teríamos naquela noite, o jeito foi recolher água em baldes para o sanitário.

Depois de comprarmos na vendinha ao lado alguns produtos necessários (pão, leite, margarina, etc), juntamos com amigos do nosso anfitrião que moram do bairro para irmos na pizzaria.

Pizzaria? Naquele lugar? Sim e, diga-se de passagem, que bela pizzaria, com seu pizzaiolo tendo estagiado aqui mesmo em São Paulo, na região do Bexiga, quando aqui morou. O pequeno empreendimento é familiar, com o pai e mãe na cozinha e o filho no caixa e balcão, as vezes revezando no aperto.

A noite foi magnífica e tivemos como música de fundo durante todo o tempo o som das águas precipitando morro abaixo, e da mesma forma acordamos com o som das aves e pássaros, anunciando a alvorada.  


A HISTÓRIA DE S. GONÇALO


A história de São Gonçalo, como de tantos outros lugarejos mineiros, vem de uma lenda antiga.

Neste caso o imaginário do povo tem por certo que há muito tempo atrás duas crianças brincavam em uma goiabeira quando, no decorrer da brincadeira, encontraram uma imagem.

Seus pais, ao perceberam que era a de um santo e como não existia nenhuma igreja no povoado, levaram-na em romaria para outro local mais perto, a Vila de Milho Verde, onde havia uma capela.

Mas ao que se conta o santo pareceu não ter gostado nada dessa ideia e voltou para o mesmo lugar embaixo da goiabeira, pois no dia seguinte as crianças encontraram aquela mesma imagem novamente ali, no mesmo lugar.

Apavorados como era de se esperar, chamaram seu pais que, impressionados, novamente reuniram-se em romaria e levaram a imagem ao Milho Verde mas, nessa nova caminhada dizem ter percebido no solo pequeninas pegadas no caminho inverso, que sugeriam ser do próprio santo, voltando para o local onde fora achado.

Possivelmente persignando-se um milhão de vezes decidiram “respeitar a vontade do santo”, trazendo-o de volta e construindo-lhe uma igreja no mesmo local onde foi achado: a atual Matriz de São Gonçalo.


DEIXANDO SÃO GONÇALO


Por essas e outras histórias que todo esse vasto sertão mineiro é nosso local preferido para aventuras. Onde mais poderíamos estar mais nas raízes mais profundas de nosso povo?

Na manhã seguinte procedemos mais uma vez o ritual de preparação da tralha, da instalação dos baús na motocicleta, da colocação da vestuário de segurança, do qual não abrimos mão e que algumas vezes nos livrou de imprevistos, principalmente nas areias soltas, onde a moto chega a tombar.

Depois do café da manhã que nos mesmos preparamos, despedimos de todos e deixamos para trás um dos lugares mais fascinantes por onde já passamos, nessas plagas verdejantes das Gerais.

TOUR PELAS RUAS DE SÃO GONÇALO

 

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CRÉDITOS


Texto e Edição: Marcos Duarte   

Fotos: Marcos Duarte

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Jornalista, advogado e editor do Portal D Moto, já foi colaborador da Revista Moto Adventure e do Portal Damas Aladas, trazendo imagens e textos dos mais diversos segmentos do motociclismo, já que pilota há mais 44 anos.

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