ABRAÇANDO A LAGOA DOS PATOS – Final

Nesta segunda parte do nosso projeto em volta da Lagoa dos Patos, também fizemos questão de mostrar nos mínimos detalhes as nuances do percurso, para que todos possam utilizar esse roteiro, independente da marca, modelo e tamanho do veículo que tem.

Estávamos no quinto dia de viagem e ao invés de continuarmos nossa aventura, resolvemos tirar um descanso merecido para curtirmos melhor a cidade de Pelotas e suas adjacências. Acordamos mais tarde que o costume e fomos curtir a periferia até a divisa com Rio Grande, que se dá pelo Canal de São Gonçalo.

Com o dia inteiro livre, aproveitamos do tempo extra para “lagartear” um pouco nas margens do “Mar Doce”, no balneário de Laranjeiras. Chegamos logo após o almoço, já que nesse horário o tempo estaria menos frio que o habitual, estratégia que deu certo já que conseguimos até colocar os pés na areia e descansar sob árvores frondosas.


SEXTO DIA


Neste sexto dia de nossa viagem acordamos cedo e, depois de um café reforçado em nosso hotel pusemos em marcha para a cidade de Rio Grande,dando continuidade então a segunda parte de nosso roteiro pela Lagoa dos Patos, agora pela orla leste.

A pista entre as duas cidades ainda estava com algumas obras durante o período que lá estivemos, mas nada que pudesse interferir na viagem ou segurança. Depois de deixar a parte urbana de Pelotas rodamos por pouco tempo e já cruzamos o Canal de São Gonçalo, por um conjunto de Pontes ainda em construção.

Do alto dessas pontes é possível divisar ao longe a cidade de Pelotas, cujo centro comercial margeia o Canal, e a própria Lagoa dos Patos ao fundo, compondo uma espécie de cartão postal de rara beleza.

A partir daí seguimos em frente pela estrada de pista simples e mão dupla de direção até a cidade de Rio Grande, a primeira que visitaríamos nesta segunda fase de nosso projeto. Em meio caminho há uma barreira de pedágio com preços bastante salgados, porém o passe para a motocicleta é livre.

Chegamos em Rio Grande por volta do meio dia, pois aproveitamos para fuçar cada cantinho encravado entre as duas cidades, o que você pode conferir no link abaixo.

 


Depois da visita que fizemos na cidade tratamos de nos achegar a zona portuária, pois seria ali que tomaríamos o Ferry Boat para cruzarmos o Canal do Norte até a cidade de São José do Norte, donde pegaríamos a BR-101 desde seu primeiro quilometro.

Aguardar a imensa fila de carretas, bi trens e ônibus que viajam nas extremidades da balsa; e ainda todos as pick-ups, vans e automóveis que viajam no meio, para só depois embarcar a motocicleta a um preço bastante salgado, é o ônus que pagamos pelo  passeio.

Porém, uma vez navegando sobre aquela água saloba, produto da fusão da água do mar e da lagoa, sente-se uma comoção diferente, um misto de perplexidade pela grandeza da natureza e a técnica que o homem usa para contorna-la.

O percurso entre as duas cidades é de aproximadamente 30 minutos e logo estávamos atracando em São José. Aqui não vale a máxima de que os últimos serão os primeiros, pois novamente fomos os últimos a deixarmos a embarcação para a terra seca.

Já em terra firme contornamos as ruas principais para conhecermos um pouco sobre o lugar e até jogarmos um dedo de prosa com amigos motociclistas que conhecemos por lá. Só depois fomos ate a “Povoação da Barra”,  para começarmos a jornada de volta exatamente no marco zero da BR-101. Confira o link abaixo.

 


Deixando São José por esse rota escolhida, em pouco tempo nos encantávamos com a beleza da estrada e, principalmente, de suas margens. O azul petróleo do asfalto bem feito combinava perfeitamente com o “verde chimarrão” dos charcos dos dois lado, contrastando em muitos trechos, ainda, com pequenos lagos azuis que por suas vezes refletiam o tom do céu.

Tão impagável foi a visão que tivemos desses trechos que gostaríamos de repeti-los muitas vezes mais, não fosse a distância de nossa morada na capital paulista.

Paramos várias vezes embevecidos com o azul extremo do céu, cobrindo como um manto anil toda aquela região que respirava a fortes haustos. Podíamos ouvir o vento forte soprando, ora do mar em direção da lagoa, ora em sentido inverso.

Podíamos sentir a relva leve sendo vergada pelo minuano gaúcho que, além da dança rítmica que impingia às folhagens, cortava-nos de frio, ainda que numa tarde ensolarada.

Seguiamos sem pressa em direção do nosso próximo destino, viajando muitas vezes ao gosto desses ventos, dando de vez em quando uma parada para desfrutar pessoalmente da natureza, sem luvas, sem capacete, só sentindo…

Felizmente esse trecho é bastante longo, com mais de 130km na mesma balada, até chegarmos na cidade de Tavares, insistentemente recomendada por nosso amigo Rui Molina, de Brasília, que tempos atrás já se hospedou na cidade por muitos dias.

Se é certo que muitas vezes damos conta de que realmente não conhecemos nada deste Brasil, em nossa chegada na cidade constatamos mais uma vez que essa assertiva é mesmo real, como pode ser visto no link abaixo

 


Realmente desejávamos ficar muitos e muitos dias naquela localidade, buscando inteirarmos de cada recanto bucólico ali existente, mas, segundo orientação dos experts de lá, a época de maior intensidade na natureza do lugar é entre setembro e novembro. Quem sabe se voltaremos em 2018?

O sol já desenhava um traçado extremamente oblíquo em nossa silhueta projetada no solo, quando deixamos a cidade. A luz quente do final de tarde não espantava o frio do corpo, mas aquecia sobremaneira o da alma, que não queria partir.

Contornamos a bonita rotatória com uma estátua de um flamingo (ave símbolo da Lagoa do Peixe) e retomamos o curso rumo ao norte. O sol se punha vagarosamente naqueles imensos planos e corríamos céleres ao nosso próximo e último destino daquele dia: A cidade de Mostardas.

Uma coisa, no entanto, nos incomodava desde que partimos de São José do Norte. Apesar de tanta beleza, mal conseguíamos ver a grande Lagoa dos Patos, que apenas banhava extensas plantações agrícolas, sem qualquer tipo de espaço para lazer público e, só em raríssimos casos suas margens abrigavam alguma pequena comunidade de pessoas.

Da mesma forma, olhando para a nossa direita em direção ao mar, nada era diferente. Apenas muitas fazendas e sítios destinados ao cultivo agrícola e a pecuária, raríssimos espaços eram destinados ao lazer ou usados como balneário.

Evidentemente a natureza tem muito a agradecer essa trégua que o ser humano ainda destina à esses lugares e esperamos que tais paraísos sigam com essa pureza por muito tempo ainda, somente brindando a corajosos aventureiros que lá vão com o espírito descoberto de qualquer maldade.

Assim divagando fomos galgando estrada afora e em pouco tempo, já com o sol se pondo, chegamos na cidade açoriana de Mostardas, onde pernoitaríamos antes de completarmos o abraço na grande lagoa no dia seguinte.

Nesse sexto dia de viagem rodamos 300km, sendo 250km em estradas e os outros 50km em incursões pelos atrativos de cada cidade. Acompanhe nossa estadia em Mostardas no link abaixo.

 


SÉTIMO DIA


Acordamos com os primeiros raios de sol e depois das atividades que contamos no link acima, deixamos definitivamente Mostardas rumo a cabeceira da Lagoa dos Patos, rodando ainda pela BR-101.

No entanto, a partir desse ponto a viagem deixou de ter o glamour até então narrado, dado a quantidade de buracos e remendos na pista que nos faziam desviar momento a momento, para não corrermos o risco de termos uma roda empenada ou um pneu furado.

A rodovia continuava sendo de pista simples e mão dupla de direção, mas o fluxo de veículos no trecho tinha aumentado bastante, principalmente com o tráfego de caminhões pesados que iam e vinham a todo momento.

A atenção teve que ser redobrada e a estrada, que outrora irradiava um tom azulado de variado esplendor, passava ao cinza tradicional de nossas rodovias movimentadas.

De Mostardas até a próxima cidade a ser visitada (Palmares do Sul), seriam pouco mais de 90km nesse ritmo, agora mais frenético que antes.

Nesse percurso a presença humana já é mais ostensiva e agora passávamos por algumas pequenas aglomerações de casas, a maior delas no Distrito de Bacupari, cerca de 30km antes da chegada em Palmares do Sul. 

Contornamos a pequena rotatória e seguimos ligeiros por cerca de 4km para o centro da cidade, na esperança não só de conhece-la, mas para também esticarmos as pernas e tomarmos um refresco. Confira no link abaixo.

 


Não demorou muito para deixarmos a cidade e rumarmos em seguida para Capivari do Sul, a última cidade a ser visitada por nós neste projeto.

Seguiríamos ainda pela BR-101 por mais 15km, porém estes muito bem conservados e sem buracos. No entanto a atenção agora deveria ser redobrada em relação a quantidade de casas e empresas ao longo do caminho.

A partir do início deste último trecho passamos a ter vários e grandiosos balneários de vereneio, mas que não podem ser vistos da estrada, pois todos estão junto a orla marítima. São eles: Quintão, Magistério, Pinha e Cidreira. A partir daí e seguindo para o norte, muitos outros balneários e cidades litorâneas estão interligadas entre si até Torres, na divisa com Santa Catarina.

Em poucos minutos chegamos em Capivari do Sul, fazendo o contorno pela belíssima rotatória na confluência das rodovia BR-101 e RS-040 para entrar na cidade. Neste trajeto, a partir de Mostardas até aqui rodamos cerca de 115km, quando demos por encerrado nosso Projeto: Abraçando a Lagoa dos Patos. Acompanhe nossa visita no link abaixo.

 


A tarde já ia alta e o retorno para casa se fazia necessário. Assim, ainda mesmo neste sétimo dia de viagem rodamos mais 35km até a cidade de Osório para o pernoite, retornando para São Paulo no dia seguinte, pelo mesmo caminho da ida e com um pernoite extra em Curitiba.

Assista o vídeo desta segunda parte do Projeto: Abraçando a Lagoa dos Patos.

 


RELATÓRIO FINAL


Na primeira etapa da viagem rodamos 1.700km, partindo de São Paulo, até a cidade de Pelotas.

Naa segunda etapa, partindo de Pelotas pela rota da BR-101, até a capital paulista, rodamos 1.500km.

No total do Projeto rodamos 3.200km em nove dias, o que deu uma média diária de 355,5km, possível de se fazer com qualquer tipo de motocicleta, evidentemente alterando-se um pouco o itinerário aqui apresentado.

Gastamos na Transalp 700cc a quantia de 178 litros de combustível para toda a viagem.

Por nossa conveniência percorremos este roteiro em nove dias consecutivos, pernoitando em oito localidades diferentes, com um custo médio diário de R$ 100,00.

Acompanhe todo o percurso em volta da Grande Lagoa e nas cidades que por ela são banhadas, nos links abaixo relacionados.

Gostou da matéria? faça um comentário e envie-a aos seus amigos; Não gostou? envie-nos suas críticas ou sugestões, estaremos prontos para atende-los. 

VEJA TODAS AS MATÉRIAS RELACIONADAS COM ESTA

      

                                    

          

 


CRÉDITOS


Texto e Edição: Marcos Duarte     

TODAS sa fotos deste projeto = AQUI

conheça também:

VIDEOS YOUTUBE

FOTOS DO FLICKR

FOTOS 360º  

Deixe um comentário

comentários

Deixe um comentário